BRASÍLIA - Para ajudar no cumprimento da meta fiscal deste e do próximo ano,
o governo voltou a estudar a elevação da Cide Combustíveis, um tributo cobrado
sobre a venda da gasolina e do diesel. A medida pode garantir uma arrecadação
extra de R$ 3,5 bilhões a cada R$ 0,10 de aumento por ano, mas o impacto neste
ano seria apenas de um quarto deste valor, já que um eventual aumento só
poderia vigorar daqui a três meses.
Apesar da promessa do presidente Michel Temer de não aumentar a carga
tributária no seu governo, a alta de tributos voltou à mesa de discussão da
equipe econômica por conta das dificuldades de se fazer crescer a arrecadação.
Ontem, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, advertiu que a situação das
contas públicas continua “gravíssima”.
No caso da Cide, há ainda uma pressão adicional do setor de etanol para que
a alíquota seja elevada – o que tornaria o álcool mais competitivo em relação à
gasolina. Perguntado sobre a possibilidade de adoção da medida, Oliveira não
confirmou nem descartou. “Vamos fazer as medidas adequadas e necessárias no seu
momento.”
O secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do
Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Félix, informou, porém, que a
elevação da Cide está sob análise do Ministério da Fazenda. “Esse assunto foi
discutido há alguns meses, chegou a ser cogitado no Ministério de Minas e
Energia, mas está sendo coordenado pelo Ministério da Fazenda”, disse. Como
mostrou o Estadão/Broadcast, essa já era uma alternativa em
março, mas o Banco Central era contrário à ideia pelo impacto na inflação. Para
Félix, o momento de inflação mais controlada pode permitir uma reavaliação.
Alternativas. Com o risco cada vez maior de a votação das
reformas não caminhar mais, depois da denúncia contra o presidente Michel
Temer, a orientação da equipe econômica agora é encontrar novas medidas para
diminuir as despesas, já que as receitas continuam decepcionando.
Em maio, a frustração de arrecadação, segundo apurou o
Estadão/Broadcast, alcançou R$ 2 bilhões, e pode se repetir em junho.
O governo tem até 22 de julho para adotar novas medidas e mostrar que a meta
fiscal, que prevê um rombo de R$ 139 bilhões, não está em risco. É o prazo para
o envio ao Congresso do relatório bimestral de avaliação de despesas e receitas
do Orçamento. No documento, o governo já deve reconhecer o fracasso do ingresso
de algumas receitas extraordinárias.
Mas, mesmo com o aumento da Cide e aprovação de projeto que permite o
resgate de R$ 8,6 bilhões de precatórios (pagamentos de valores devidos em
ações judiciais depois da condenação definitiva) não sacados, o governo
continuará com dificuldade de cumprir a meta, admitem fontes da área econômica.
O risco é de que, a partir de setembro, o governo já comece a empurrar o
pagamento de despesas para o próximo ano.
Para o diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado,
Felipe Salto, o cenário fiscal traçado pelo governo para o período de 2018 a
2020 é demasiado otimista e esconde a necessidade de contingenciamentos cada
vez maiores para assegurar o cumprimento das metas de resultado primário. O
quadro é tão delicado que em breve a chamada “margem fiscal”, despesas não
obrigatórias que em tese podem ser alvo de corte, se esgotará e o governo
precisará diminuir gastos que são obrigatórios, como os benefícios
previdenciários e o seguro-desemprego, segundo nota técnica da IFI.

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